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Como solucionar a crise da água? A verdadeira resposta é local.

20-09-2019

Artigo de opinião de David Kerkhofs*


Como solucionar a crise da água? A verdadeira resposta é local.


A maioria dos fundos para a água estão controlados por governos, bancos e grandes empresas, mas são serviços sustentáveis, propriedade da comunidade, que podem abordar a crise da água.

Historicamente, as civilizações cresceram onde existem fontes de água disponíveis. Do mesmo modo, foram derrubadas devido à escassez de recursos hídricos. Hoje, metade das maiores cidades do mundo estão a passar pela escassez de água. Calcula-se que para 2025, metade da população mundial viverá em zonas com escassez de água. Fizemos grandes avanços na melhoria do acesso à água na última década, mas ainda assim existem 2,1 mil milhões de pessoas que ainda não dispõem de acesso a água limpa, e a população mundial está a crescer rapidamente, portanto este problema tem tendência para tornar-se ainda maior.

Ainda que a água pareça abundante no nosso planeta azul, apenas 0,014% de toda a água é doce e de fácil acesso. Tal como usamos este valioso recurso atualmente, não conseguiremos cumprir com o ODS 6, para garantir a “disponibilidade e gestão sustentável de água e saneamento para todos”. É essencial que a comunidade global se una para tomar medidas audazes e radicais, para garantir o uso sustentável, a proteção e a manutenção deste recurso.

O acesso à água potável é um direito fundamental, e os governos têm a responsabilidade de proporcionar aos seus cidadãos água potável segura, limpa e acessível para todos. Porém, isso está longe de ser uma realidade em muitas nações do mundo. 

O tema da Semana Mundial da Água celebrado em agosto deste ano em Estocolmo foi “Água para a sociedade, todos incluídos”, alinhada com o foco da ONU em “ninguém fica para trás”.Apesar das muitas soluções técnicas inovadoras disponíveis, é essencial que compreendamos o que enfrentamos como planeta: uma crescente crise mundial de água.

 

Investimentos e promessas

No evento desta semana, os governos anunciaram grandes e novos investimentos em serviços essenciais que incluem o acesso à água, serviços sanitários e higiene (WASH, sigla em inglês), o que marca um reconhecimento importante da crise e dos esforços para abordá-la.

No entanto, a maioria destes fundos serão canalizados através de instrumentos de financiamento para o desenvolvimento, administrados por governos, bancos e grandes empresas. Se estes investimentos têm um papel importante que desempenhar no desenvolvimento da indústria, verificou-se uma notória ausência do reconhecimento do papel da sociedade civil na criação de uma demanda sustentável, do apoio a comunidades isoladas e da provisão de serviços.

Cerca de 70% das bombas de água manuais instaladas na África Subsariana já não funcionam. Nas zonas rurais e remotas, onde os grupos excluídos quase não têm voz, as instituições de financiamento para o desenvolvimento (DFI, em inglês) e os investimentos por si só não conseguirão a mudança de paradigma necessário para transformar esta realidade.

A forma como usamos e interatuamos com a água está diretamente relacionada com as nossas crenças culturais e com a nossa visão do mundo. Durante esta semana, partilhando as nossas experiências sobre as abordagens lideradas pela comunidade para a gestão de WASH, uma das principais perguntas que as pessoas faziam era como incentivar e assegurar-se de que as pessoas usam produtos e serviços a longo prazo. A resposta está nos chamados Chief Security Officer e nos agentes locais, que conhecem as suas próprias necessidades e podem formular as suas próprias soluções.

 

O programa desenvolvido pela DAPP-Zimbabué

A organização benéfica nacional, Ajuda ao Desenvolvimento People to People (DAPP) Zimbabwe, implementou um programa de fornecimento de água, saneamento e higiene (C-WASH) de dois anos liderado pela comunidade em 4 distritos de Zimbabwe. O objetivo era melhorar as práticas de saneamento, aumentar a capacidade para construir novas infraestruturas e mobilizar apoio para consegui-lo.

C-WASH baseia-se no princípio de que a infraestrutura por si só é suficiente para melhorar a saúde e a higiene. O género, a cultura e as relações sociais são questões que devem abordar-se para conseguir uma mudança de comportamento e o êxito a longo prazo. A iniciativa também envolveu membros da comunidade em clubes de saúde, encorajando a mudança coletiva, com soluções inovadoras e locais, o que conduziu a uma maior sustentabilidade a longo prazo. O programa chegou a mais de 8.000 lares e 20 escolas, impactando a um total de mais de 53.000 pessoas, incluídas 23.000 crianças.

A criação de serviços sustentáveis relacionados com a água, cuja propriedade é comunitária, pode ter um impacto muito positivo nas condições de vida dos grupos mais vulneráveis. Acreditamos que é essencial mobilizar e desenvolver a capacidade destes grupos para garantir que se encarregam das suas soluções desde o princípio.

Para conseguir “Água para a sociedade, todos incluídos”, é necessária uma cooperação global que envolva todas as partes interessadas: empresas privadas, corporações, governos, agências internacionais e regionais, dadores, ONG e comunidade científica.

Mas o mais importante é que requer a participação inclusiva das organizações e comunidades locais da sociedade civil, para que as suas vozes, perspetivas e problemas únicos sejam ouvidos e atuem. Será necessária uma discussão franca e uma ação audaz e radical para abordar a crise de segurança da água.

 

 

*David Kerkhofs é Coordenador do Programa de Adaptação à Mudança Climática da Humana People to People.

Humana People to People (HPP) é uma federação de 30 organizações não governamentais localmente registadas e administradas, ativas em 45 países nos 5 continentes.