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Clubes de Agricultores e Energia Renovável


Setenta por cento dos indivíduos em risco de insegurança alimentar vivem nas áreas rurais na África, Ásia, América Latina e Médio Oriente. Apesar de que os agricultores de origem rural serem essenciais para o desenvolvimento sustentável e ecológico, muitos não têm acesso aos recursos, ao conhecimento ou à tecnologia que poderiam fornecer-lhes uma oportunidade contra a pobreza.  No entanto, o crescimento direcionado para a agricultura é pelo menos duas vezes mais eficaz do que qualquer outro meio de ajuda ao desenvolvimento.

Os efeitos das alterações climáticas estão a ser discutidos como nunca. Eventos relacionados a situações de clima extremo estão a tornar-se notícias regulares para os países desenvolvidos, no entanto, há um interesse menor sobre os efeitos relacionados às alterações climáticas nas comunidades em desenvolvimento. Em 2013 e novamente neste ano (2014), o nosso tema do dia da Humana People to People (evento anual) será "Nosso Clima, Nosso Desafio" a fim de aumentar a consciencialização sobre os problemas relativos ao meio ambiente e ao trabalho que estamos a realizar para combater os efeitos negativos junto à população mais vulnerável no mundo.

Como acontece em todas as iniciativas da Humana People to People, os Clubes de Agricultores utilizam plenamente o fato de que há realmente poder nos números. Grupos de 50 agricultores de uma região foram reunidos e educados acerca do meio ambiente, como melhorar uma colheita de maneira ecológica, bem com alavancar mais acesso ao mercado por meio de formação de cooperativas. Como resultado do programa, inúmeras famílias alcançaram a segurança alimentar, o que significa que são capazes de plantar e colher alimentos variados e nutritivos em quantidade suficiente durante todo o ano a fim de sustentar as suas famílias. Muitas delas chegam a aumentar tanto os seus campos de plantação que são capazes de vender o excedente, fornecendo à sua família uma fonte de rendimento suplementar. Os eventos da comunidade são também organizados para encorajar a igualdade de género e melhorar o saneamento.

Em 2013, fomos capazes de contribuir com mais de 200.000,00 euros provenientes do decurso da nossa atividade realizada em Portugal para o Programa do Clube de Agricultores na região de Oio na Guiné-Bissau. O Projeto Oio é particularmente empolgante porque também trouxe energia renovável às comunidades que anteriormente não tinham acesso à eletricidade. Vinte e quatro comunidades, significando quase 15 mil indivíduos, utilizam agora energia solar para 39 bombas de água, 24 centros comunitários, 11 escolas primárias, 9 mesquitas, 7 centros de assistência médica e 7 centros de processamento de grãos.

A vida mudou drasticamente para estas comunidades. 1.350 adultos iniciaram cursos de alfabetização e atualização de competências de literacia, 1.710 crianças começaram a frequentar a escola e 1.235 campos de cultivo fornecem agora alimentos de origem vegetal durante todo o ano. Muitas famílias produzem até 25% mais colheitas do que necessitam e, consequentemente, são capazes de vender a colheita excedente para gerar um pequeno rendimento suplementar, e mais de 850 latrinas foram construídas a fim de melhorar o saneamento.