Em 2023 a Refashion (organismo responsável pela implementação da política de Responsabilidade Alargada do Produtor no setor têxtil e calçado em França) promoveu um inquérito sobre reparação de vestuário em França. 47% dos inquiridos disseram já ter deitado fora uma peça de roupa danificada porque a reparação, sendo possível, ficaria mais cara do que comprar uma peça nova equivalente.
O preço, já se sabe, é um obstáculo à reparação e à alteração – num contexto de abundância de roupa barata e de escassez de reparadores.
Mas é de notar que 32% dos respondentes invocaram a falta de informação sobre a existência e localização de serviços de reparação como razão principal para o descarte de uma peça danificada. Ou seja, ao custo da reparação junta-se o custo de procurar o serviço e fazer uso dele. É certo que não há mais fácil do que comprar novo, num clique, sem sair de casa.
Perante estes dados, a mesma Refashion percebeu que, para alcançar na prática menores volumes de resíduos têxteis e maiores taxas de reutilização, tinha de dar a volta a dois fatores: custo e conveniência.
Um trampolim para a reparação
Foi assim que nasceu o Bónus Reparação, que permite a todos os cidadãos beneficiarem de abatimentos sobre o preço das reparações de têxtil e calçado. Substituir um forro ou um fecho éclair fica assim consideravelmente mais barato (menos 10 a 25 euros e menos 8 a 15 euros, respetivamente).
A medida vem acompanhada de um repositório nacional de reparadores (para que seja mais fácil encontrar o serviço) e abriu as portas ao surgimento de negócios de reparação à distância, que pretendem aproximar-se da conveniência do e-commerce. A start-up de economia circular Les Reparables é um desses projetos (aqui objeto de reportagem na televisão francesa, com legendas em inglês).
A dinâmica de estímulo à reparação já fez com que alguns negócios locais de vestuário em segunda-mão, como a Textilerie, em Paris, começassem a investir na recuperação de algumas peças de especial valor (em colaboração com o projeto Sauve Qui Peut). É muito interessante perceber que critérios estão subjacentes a decisão de reparar ou não, e constatar que a reparação não tem de ser discreta – uma reparação visível pode acrescentar valor, ao tornar a peça única.
E a Humana?
A Humana apoia a reparação e quer promovê-la! Estamos a cozinhar algumas ideias e em breve voltaremos ao assunto.
(Foto do cabeçalho: Les Affûtés)







