No dia 7 de novembro decorreu a Jornada Humana Circular 2024. Este evento teve como objetivo juntar numa mesma sala parceiros da Humana e stakeholders dos setores têxtil e resíduos para, por um lado, debater os desafios da circularidade e, por outro, celebrar o caminho já percorrido.
O evento teve lugar na Fundação Calouste Gulbenkian e contou com intervenções introdutórias de Henrique dos Santos Pereira (membro do Conselho de Administração da Humana), Luís de Melo Jerónimo (Diretor do Programa Equidade da Fundação Calouste Gulbenkian) e Emídio Sousa (Secretário de Estado do Ambiente), este último em mensagem vídeo.

Segundo o estudo da Oxford Economics, o sector do vestuário em segunda mão contribui para a redução da pobreza, criando oportunidades de emprego
Andreia Barbosa, responsável de Comunicação e Economia Circular na Humana, apresentou os resultados do estudo “O impacto socioeconómico do vestuário em segunda mão em África e na UE27+”, elaborado pela consultora Oxford Economics e publicado em outubro. Na apresentação ficou patente o imenso potencial do setor do vestuário em segunda mão para impulsionar o crescimento económico sustentável e a criação de empregos verdes em todos os continentes. As conclusões dos investigadores apontam para a necessidade de políticas que apoiem e fortaleçam esta indústria circular – garantindo que continua a servir de ponte entre a sustentabilidade ambiental e o crescimento económico inclusivo.

A futura obrigatoriedade de recolha seletiva de têxteis esteve em debate
Seguiu-se uma mesa redonda sobre “O resíduo têxtil –potenciar a valorização local e global”, que contou com a participação de Ana Cristina Carrola, vogal do Conselho Diretivo da Agência Portuguesa do Ambiente; Fernando Hin Júnior, Coordenador do Centro de Desenvolvimento Empresarial da Associação Comercial da Beira (Moçambique); Luís Cristino, co-fundador da consultora de sustentabilidade e inovação OMA; e Sónia Almeida, promotora nacional da Humana Portugal.
O debate deixou claro que a Responsabilidade Alargada do Produtor, que vai permitir pôr os fabricantes e distribuidores de vestuário a contribuir financeiramente para o tratamento dos seus produtos no final de vida, é essencial para assegurar a recolha seletiva e a valorização de têxtil que todos desejamos. Mas uma vez que a sua implementação só está prevista para 2027, os municípios sentem-se desamparados perante a obrigatoriedade de implementar uma recolha seletiva de resíduos têxteis já no próximo ano. Projetos com apoio financeiro (voluntário) de fabricantes poderão ser uma forma de avançar, estando a sua implementação prevista no Plano de Ação para a Economia Circular, cuja versão atualizada deverá ser aprovada em breve.
Entretanto, operadores de reutilização como a Humana continuarão a ser os principais parceiros dos municípios na recolha e valorização do têxtil, sendo que a sociedade se mostra cada vez mais exigente no que diz respeito à transparência da cadeia de valor do têxtil usado.

O presidente da Junta de Freguesia de Carnide, Fábio Sousa, recebeu o prémio “Freguesia Sustentável” das mãos de Sónia Almeida
Por fim, foram atribuídos os prémios Humana Circular 2024. Esta iniciativa da Humana visa reconhecer o inspirador trabalho em prol da sustentabilidade levado a cabo pelos seus parceiros, sendo uma forma de agradecimento e encorajamento pela continuidade do caminho rumo a modos de vida mais justos e sustentáveis. Este ano foram distinguidas 18 autarquias e entidades privadas.







