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Humana deixa de recolher têxtil em vários municípios e lança alerta.

Fev 11, 2026 | Ambiente

A Humana passa a gerir 826 contentores de recolha têxtil em todo o território nacional, tendo retirado até ao momento 256 equipamentos. "Se o benefício e serviço público inquestionável que os gestores como a Humana representam não for reconhecido de forma justa, corremos o risco de entidades como a nossa e o próprio setor colapsar e de não existirem alternativas, o que representaria um cenário desolador do ponto de vista ambiental.”, alerta Sónia Almeida, promotora nacional da Humana.

A entidade de economia social, a operar no país há mais de 28 anos, deixará de assegurar a recolha e o tratamento do têxtil usado nas Caldas da Rainha, Santarém, Entroncamento, Almeirim, Moita, Évora e Estremoz.

A decisão surge na sequência da recente alteração legislativa europeia que torna obrigatória a recolha de têxtil usado pelos municípios, exigindo assim uma mudança urgente na forma como os operadores são selecionados e remunerados para a prestação deste serviço.

A Humana, enquanto entidade gestora de referência, assumiu a dianteira e retirou vários equipamentos numa primeira resposta à atual situação do mercado e com o objetivo de manter a sustentabilidade da sua atividade, afetada também pelo aumento dos custos associados aos processos logísticos e operacionais.

Até agora a recolha têxtil era realizada mediante o pagamento, por parte dos operadores, de uma taxa de ocupação de espaço público – para colocação de contentores – ou de uma contrapartida financeira para a realização deste serviço. No enquadramento atual, este modelo deixa de ser adequado.

“Apesar da relação institucional saudável que mantemos com as entidades, é insustentável continuarmos a pagar para ter um equipamento que responde a uma necessidade municipal obrigatória. Se o benefício e serviço público inquestionável que os gestores como a Humana representam não for reconhecido de forma justa, corremos o risco de entidades como a nossa e o próprio setor colapsar e de não existirem alternativas, o que representaria um cenário desolador do ponto de vista ambiental.”, alerta Sónia Almeida, promotora nacional da Humana.

No ano passado, a Humana recuperou 3.919 toneladas de têxtil usado em 25 concelhos, com uma taxa global de reutilização na ordem dos 61%. Após a redução de equipamentos de recolha anunciada, a Humana passa a gerir 826 contentores de recolha têxtil em todo o território nacional, tendo retirado até ao momento 256 equipamentos.

O processo de gestão têxtil deve ser assegurado por entidades com competência comprovada, como a Humana, de forma transparente, garantindo a igualdade de oportunidades no cumprimento desta operação. Estamos totalmente disponíveis para retomar as negociações e, se for caso disso, voltar a colocar os contentores nas ruas, mas quando falamos de têxtil usado, a sustentabilidade não pode ser apenas uma bandeira simbólica. É indispensável assegurar condições que garantam a continuidade e a subsistência dos operadores que a tornam possível. Com a proliferação da fast e ultra fast fashion e a consequente queda do valor de mercado destes materiais, a par do agravamento contínuo dos custos operacionais associados à recolha, triagem e gestão dos mesmos, torna-se insustentável continuar.” reforça Sónia Almeida.